domingo, 26 de maio de 2019

Fim do Mundo - Filme

      Fim do Mundo - Rim of the World - é um filme de 2019 de ficção científica e aventura produzido pela Netflix e escritor por Zack Stentz, que também trabalhou em Thor. O filme conta a história de quatro adolescentes que estão em um acampamento de verão quando um ataque alienígena ameaça destruir a raça humana, e cabe a eles a missão de levar a chave que pode salvar o mundo.


      Se você, assim como eu, está ansioso pela terceira temporada de Stranger Things, e viu a Netflix te sugerindo esse filme, e acha que isso será um aquecimento para o que está por vir na série… desista. 

      Zack Stentz deveria ter um desejo no fundo de seu coração de fazer uma obra nostálgica e cheia de referências da cultura pop, da mesma forma que Stranger Things fez, mas ele errou no timing e na dose de referências.

      Logo no início, quando você chega no acampamento e conhece as crianças, você já se cansa.

--- Alerta de Spoilers ---

      Alex (interpretado por Jack Gore) é um garoto nerd com um passado traumático que vive isolado em seu quarto com uma parede REPLETA DE MONITORES — a conta de energia dessa casa deve vir altíssima. O menino é um gênio — eu acho que até demais — mas tem medo de tudo. Não julgo os medos deles nem os motivos, mas é incrível como o filme fez suspense sobre seu trauma com fogo o tempo todo, mas no último minuto — depois de uma crise de choro — ele levanta e anda no meio de um incêndio como se nada estivesse acontecendo — e minutos antes ele já havia conseguido vencer o medo de altura. Queria eu superar meus traumas rápido assim.

      Dariush (interpretado por Benjiamin Flores Jr.) é o típico garoto rico e esnobe que se acha o líder do grupo, e, como se sua personalidade não fosse o bastante, ele é usado como o principal alívio cômico do filme, mas, o seu timing é péssimo e ele acaba soltando piadas exageradas a cada 30 segundos.

      ZhenZhen (interpretada por Miya Cech) é uma garota chinesa que não fala nada, mas que parece ser super badgirl. Só que do nada ela começa a falar. E depois ela perde a graça. Do meio pro fim ela comenta com o Alex que o pai dela queria ter tido um menino, mas isso não explica nada sobre ela. Ninguém sabe como ela chegou no país, o real motivo de ela ter ido pro acampamento ou se ela vai voltar pra China. Ela tem suas cenas legais no meio do caminho, mas é só isso.

      Gabriel (interpretado por Alessio Scalzotto) é um garoto que apareceu no meio da floresta e acaba se juntando aos outros três quando os aliens começam a invadir a Terra. Ele aparenta ser bem misterioso no início, e serve como líder para o grupo, já que ele é o único que mora na cidade onde eles estão acampados e, na minha opinião, foi o melhor e mais bem desenvolvido personagem da história toda — o que não precisa de muito esforço.

      Personagens sem desenvolvimento, história sem explicação nenhuma, alienígenas de CGI meio toscos, Dariush com poder de onisciência porque ele sabia que tinha incinerado um “cachorro alienígena” sem nem ter visto, e ninguém sabe como que eles conseguiram chegar no prédio da JPL sem GPS, sendo que o próprio Alex disse que não sabia o caminho.


      Se você gosta de ficção científica e de crianças andando de bicicleta, você ainda pode se divertir com algumas cenas e sentir aquele medinho e a tensão do monstro correndo atrás deles, mas, no geral, o filme é bem raso.

      Netflix, nunca decepciona quando o assunto é filme ruim.



      Nota final: 👽👽

domingo, 12 de maio de 2019

Taiyou no Ie - Mangá

      “Antigamente, aquele lugar era uma casa cheia de magia. Um lugar onde você acabava sorrindo mesmo quando queria chorar. Certamente, um mago invisível deve ter vivido por lá. Ou era o que eu pensava…”


      Taiyou no ie — Casa do sol — é um mangá que foi publicado de 2010 a 2015. Criado pela mangaká Taamo e publicado pela Dessert — revista de outros romances bem conhecidos como Tonari no Kaibutsu-kun e Suki tte ii na yo.

      Mao é uma garotinha que, devido ao péssimo relacionamento de seus pais, não se sentia bem em casa, então gostava de se esconder atrás de um pequeno templo na região. Ela acaba conhecendo a família Nakamura, e cria um vínculo muito grande com Hiro, Daiki e Hina, e de tanto ser bem recebida no local, ela finalmente se sente “em casa”.

      Porém, um trágico acidente aconteceu e os pais daquela família, que era sempre alegre, morreram. Hina e Daiki vão morar com alguns tios — por eles serem muito novos — mas Hiro, o mais velho, decide ficar sozinho na casa, com o objetivo de cuidar dela para que um dia seus irmãos voltem e eles possam ser a família feliz que eles já foram um dia.

      Os anos se passam e o pai de Mao se casa com uma mulher que trazia consigo uma criança. Ao ver que seu pai a desprezava e tinha adotado a nova criança como substituta, Mao se esconde novamente no templo. Hiro, já adulto, encontra Mao no seu esconderijo de sempre e a convida para morar com ele até ela se resolver com seu pai. Mao aceita e seu pai não liga para sua decisão. 

      Agora Mao e Hiro precisam colocar suas vidas em ordem e restaurar os laços familiares que se quebraram, além de encararem os sentimentos que tem um pelo outro que crescem dentro de si.


      Eu já li alguns romances e eu cansei de ver os personagens se fazendo de difícil por motivos ridículos como “a garota A gosta do garoto B mas não se declara porque a amiga também gosta dele”. Taiyou no ie enrola no romance por um motivo muito simples: o foco deles não é o romance. 

      Ele sempre deixa bem claro os interesses dos personagens e você já percebe logo de cara que o mais importantes para o casal não é ficar um com o outro, mas ficar cada um com sua família. Não estou dizendo que eles não ligam um pro outro — muito pelo contrário, eles sempre demonstram muito carinho e sempre deixam bem óbvio os seus sentimentos — mas eles precisam reconstruir seus lares e aprender que coisas ruins acontecem e que uma ajuda de outra pessoa sempre é bem vinda.


      Casa do sol é mais do que um romance. É uma história sobre amadurecimento. É sobre ter um refúgio na hora dos problemas. É sobre um amor mais forte que o de um casal. É sobre o amor e a importância da família.



      Nota final: ☀️☀️☀️☀️☀️

domingo, 14 de abril de 2019

Tsuki ga Kirei - Anime

      Natsume Soseki, um renomado escritor e professor japonês durante o período Edo, recebeu uma tradução de um de seus alunos a frase em inglês “I love you” para o japonês “我君を愛す”. Contudo, Natsume corrigiu seu aluno e disse que a frase ficou estranha, porque não era uma frase muito comum entre os japoneses, então, ele sugeriu que a frase fosse traduzida para “月が綺麗ですね” (Tsuki ga kirei desu ne), que significa “a lua está linda, né?”.


      Tsuki ga kirei — ou A lua está linda — é um anime original (ou seja, não foi baseada em um mangá ou jogo) de 2017 produzido pelo estúdio feel., o mesmo estúdio da segunda temporada de OreGairu — e de animes ruins como KissXSis e Yosuga no Sora.

      É um romance escolar que conta a história de Kotarou Azumi, um aspirante a autor, e Akane Mizuno, membro do clube de atletismo da escola. O anime mostra como dois pré-adolescentes descobrem o primeiro amor e as dificuldades que um relacionamento tem que passar, mesmo que eles sejam tão jovens.

      Azumi é um rapaz normal que, embora tenha amigos que gostam de fazer barulho pela escola, não chama muita atenção das pessoas, até porque é um garoto muito tímido e apaixonado por leitura e discos de vinil. Gosta de passar seu tempo na biblioteca da escola e nas atividades culturais de sua cidade.

      Mizuno é uma bela garota, popular entre os corredores da escola por ser uma das garotas mais rápidas do clube de atletismo, mas que não usa sua popularidade no clube pra ser uma garota esnobe ou orgulhosa. Na verdade, ela também é uma garota tímida e com uma dificuldade de expressar seus sentimentos.

      Como ambos são tímidos e inseguros, Azumi tem problemas em falar com Mizuno e acaba chamando a atenção de outra menina, e Mizuno não consegue se livrar do presidente do clube que também é apaixonado por ela. Porém, o ponto importante desse anime é o crescimento e o amadurecimento do casal de protagonistas. Eles percebem que se continuarem segurando seus sentimentos, nunca vão alcançar a própria felicidade, e ainda magoarão as pessoas ao seu redor. E como se não bastasse esse fator, eles ainda terão outros problemas pela frente.


      Com um filtro de cores em tom pastel, uma levíssima trilha sonora onde o foco é o som ambiente noturno e uma abertura muito bonitinha, Tsuki Ga Kirei é um belo romance e com a quantidade certa de clichês, além de contar com várias cenas de personagens secundários e seus próprios romances. Ele pode não agradar a todos pois conta com cenas bem paradas e pode parecer meio maçante de assistir, mas essa técnica se adapta à história pois mostra o nervosismo e a ansiedade dos personagens, já que o amor é uma experiência nova para eles — e a cena do episódio final faz toda espera valer a pena.

      Nota final: 🌕🌕🌕🌕

terça-feira, 2 de abril de 2019

Klok - Aplicativo

      Klok - World Clock Converter é um aplicativo para celular cuja função é te mostrar as horas.

      Na verdade, ele é um pouco mais do que isso. O objetivo é ser um widget que te mostra o horário em outros lugares do mundo — sendo que o relógio que vem no seu celular já faz isso. A diferença é que ele te permite ter um acesso rápido a esses horários na seção de widgets do iPhone, sendo assim, seu público alvo são pessoas que viajam muito, ou que precisam/querem falar com pessoas que estão em um fuso horário diferente.

      O aplicativo foi desenvolvido pela Buuuk Private Limited (sim, são três u’s), empresa que também fez outros aplicativos bem específicos mas com um público alvo enorme, como é o caso do WeatherLah, que nada mais é do que um app de previsão do tempo que só funciona na China.



      Klok é visualmente bonito e os relógios são personalizáveis — pra falar a verdade, nem tanto, já que você só é capaz de escolher entre analógico e digital. Se no país selecionado for dia, o relógio é branco. Se for noite, é azul escuro. E se nesse país já for o dia seguinte, ele recebe um +1 no canto do relógio.



      Na minha opinião, ele é bem inútil. Mas, se você trabalha viajando pelo continente, ou tem um parente que mora em outro país e você sempre esquece que horas são lá porque você não quer ligar pra ele às duas da manhã, Klok pode te ajudar. Ou não. Seu relógio já vem com essa função. Não precisa se preocupar.

      Se você tiver um dispositivo iOS, clique aqui para fazer o seu download. Infelizmente — ou não — ele não está disponível para Android.


Nota final: 🕓🕓🕓🕓

segunda-feira, 25 de março de 2019

O Começo de Tudo - Livro

     Olá, pessoas da internet! Espero que vocês estejam bem. Essa semana eu reli um livro que eu gosto muito, e como eu não tinha nada pra fazer, eu fiz uma resenha dele. Espero que gostem.


     O Começo de Tudo é um livro da escritora americana Robyn Schneider, que conta a história de Ezra Faulkner, um adolescente que perdeu a popularidade, a namorada e a possibilidade de continuar no time de tênis do colégio em um acidente de carro. Após o acontecimento, Ezra se reaproxima de Toby, seu melhor amigo nos tempos de infância, e acaba conhecendo a jovem Cassidy Thorpe, uma garota linda, inteligente e levemente misteriosa que acaba ajudando Ezra a se readaptar a nova vida de ex-atleta e se conhecer como pessoa, apresentando-o a um novo mundo com clubes de debate, flash mobs e caças ao tesouro.

     Ezra acredita que todo mundo tenha um desastre pessoal. Toby, seu melhor amigo, teve o seu desastre em uma montanha russa, em um parque da Disney, no dia do seu aniversário, quando um garoto desobedeceu as regras do brinquedo e se levantou do assento e perdeu a cabeça quando o carrinho passou por dentro de um túnel. O dia poderia ter terminado bem se a cabeça do tal garoto não tivesse caído em cima do colo de Toby, traumatizando o rapaz e impedindo que qualquer outra criança tivesse coragem de falar com ele, e até o seu dito melhor amigo o deixou de lado.

     Aos 17 anos, Ezra sofre o seu desastre pessoal. Ele vai a uma festa na casa de um dos jogadores do time de futebol contra sua vontade e encontra sua namorada Charlotte em um quarto com outro cara. Ezra decide ir embora em seu carro, mas na esquina ao fim da rua, uma picape preta aparece ultrapassando o sinal vermelho e se chocando com o carro de Ezra. O rapaz fica internado por três meses e sai do hospital com a palavra do médico de que ele não poderia mais jogar, pois o trauma no joelho traria dores eternas. Ao voltar à escola, Ezra não é mais o mesmo garoto popular, bronzeado e com o corpo torneado de antes. Agora ele era um magrelo, com uma palidez doentia e de bengala.

     A única pessoa que falou com ele  como se seu amigo nunca tivesse o abandonado por causa de uma cabeça arrancada  foi Toby e, por sua influência, agora ele fazia parte da mesa dos nerds. Nesse meio tempo, Ezra conhece Cassidy, a garota nova da sua turma de espanhol. Cassidy acaba sentando na mesma mesa e ambos são forçados a entrar no time de debate do colégio. Os dois desenrolam um romance com direito a flash mobs em shoppings de cidades vizinhas, compras em brechó, boneco de neve feito de folhas e código morse.

     --- Atenção, a partir daqui podem conter spoilers ---

     Na minha opinião, o livro é a definição da frase “O que importa não é a chegada, e sim o caminho”. A história — se você ignorar o fato de que o Ezra é um idiota — é bem desenvolvida e os personagens são até legais, embora eles não sejam tão aprofundados. 

     E, no final, quando vemos o “desastre pessoal” da Cass, fica meio ridículo. Ela passa a imagem de garota desapegada e sonhadora durante a narrativa inteira e termina sendo uma menina medrosa e presa ao passado, e quando ela tem a oportunidade de enfrentar tudo isso e seguir em frente, ela pega toda a personalidade que foi construída e joga no lixo. Mas ao mesmo tempo eu tento enxergar o lado dela, até porque não é fácil perder alguém que amamos, e sempre que ela visse o Ezra, ela lembraria do irmão e seria muito doloroso.

     Porém, voltando a frase de antes, o que eu gosto nesse livro é o desenvolvimento e o relacionamento dos personagens. Não apenas o romance entre os dois protagonistas, mas de todos da mesa dos nerds. Eu amo ler o capítulo da viagem do clube de debate onde o time está tendo uma festa no quarto de hotel com membros de outro time e estão bebendo uísque e comendo um pedaço de baguete com queijo e salame, falando mal de outro time ao som de Bon Iver. Ou quando Ezra, Cassidy, Toby e Austin (outro personagem sem muito desenvolvimento) vão pra Los Angeles pra participar de um flash mob meio vergonha alheia no meio do shopping — inclusive, essa cena lembra o final da primeira temporada de Atypical.

     Ezra e seus novos amigos tem aventuras que eu queria ter com meus amigos e eu acho isso bonito e quase inspirador. Me lembra muito cenas de filmes onde alguns amigos viajam de carro, ou até mesmo quando Mike, Lucas, Dustin e Eleven se juntam para salvar o Will em Stranger Things.

     Eu acho uma pena o livro não ter um final que me encante. Pelo contrário, o final me dá raiva do livro todo, mas eu sempre volto às cenas onde a turma está junta, ou às cenas onde Cassidy ensina algo novo ao Ezra  mesmo que tudo que ela ensinou parece não servir pra ela porque ela estraga tudo.

     Nota final: 📙📙📙📙